Notícias

A organização dos sem tetos e sua democracia

Quarta-feira, 4th Novembro, 2015

Nos últimos dias a imprensa veiculou notícias sobre a organização interna dos sem-teto. Especialmente sobre suas finanças. As reportagens apontam algumas questões pontuais do controle financeiro da organização dos sem-teto e revelam possíveis desajustes encontrados em alguns movimentos sociais e também mencionou a FLM. Analisando as matérias podemos verificar que se trata de coleta de informações superficiais e a partir daí apresentam conclusões apressadas. Não encontramos nas matérias escritas ou falada, qualquer preocupação ou compromisso para contribuir com a superação da grande dramaticidade que vive os sem tetos nas grandes cidades. Nada apontaram sobre os valores extorsivos dos aluguéis. Nada mencionaram sobre o estoque de propriedades abandonadas, sem função social. Nada explicitaram sobre os valores de qualquer condomínio de classe “média” que gira entre R$ 500,00 e mais de mil reais mensais.

De qualquer modo, é uma grande oportunidade para colocar as coisas no seu devido lugar. Sintetizamos, então, alguns princípios e normas que regem a organização dos sem-teto e de suas finanças.

1. Contribuição mensal nos movimentos organizados, onde as famílias iniciam sua participação nos coletivos de luta por projetos habitacionais:

1.1 – Recomendação da FLM: cobrar no máximo R$ 30 mensais por famílias. Alguns movimentos praticam esse valor, outros recolhem R$10 mensais e outros R$ 20.

1.2 – Esta contribuição deve ser aprovada em assembleia com a participação das famílias.

1.3 – Realizar prestação de contas mensais explicitando receitas e despesas.

Relacionar as despesas dos sem-teto coligados. Cada grupo possui um rol de necessidades que varia em decorrênciade sua especificidade. Em geral as despesas são as seguintes:

a) local de reunião: água, luz, limpeza e manutenção dos espaços;

b) material de escritório: papel, gráfica, caneta, cópias…;

c) mobilidade do grupo: deslocamento da coordenação e participação em atividades externas;

d) atividades de formação: curso, seminários, palestras, atividades culturais para compreenderem a legislação, que regem seus direitos e regramento do grupo. Atividades festivas (dia das crianças, aniversários e outras datas) para integração do grupo.

e) Assessoria técnica de arquitetos, para apresentar viabilidade de projetos habitacionais e acompanhamento de negociações;

f) Assessoria Jurídica de advogados, para orientar os grupos dos sem teto e assegurar fundamento legal a suas ações.

g) Auxílio solidário: para famílias que se encontram em situação completa de vulnerabilidade social.

Conclusão desse primeiro round:

Analisando o rol de despesas, os sem-teto dão um banho de economia, eficiência administrativa fazendo milagre com o dinheiro recolhido. Cobram infinitamente menos do que qualquer instituição similar ou da mesma natureza. Cobram menos que as igrejas de seus fiéis. Menos que os sindicatos cobram de seus trabalhadores. Menos que a FIESP recebe de imposto para manter o homem do pato. Menos do que é retirado compulsoriamente do holerite dos trabalhadores para manter o sistema S, que não serve a todos seus contribuintes. Na verdade, os sem-teto, com sua simples experiência, demonstram que é possível constituir uma forte Associação, com seus próprios recursos, autônoma e direcionar suas energias para a conquista de seus direitos.

2. Organização financeira nos condomínios (ocupações) de moradia provisória.

Neste particular a FLM recomenda que a taxa condominial não ultrapasse 15% do salário mínimo. Entretanto, os elementos de despesa variam conforme o espaço da moradia. Se o imóvel tem elevador ou não, as suas condições habitacionais, se é terreno, etc. De qualquer modo os princípios da FLM indicam que deve ser feito orçamento dos elementos de despesa, para balizar o valor cobrado. Tudo decidido no coletivo dos moradores.

Se houver excepcionalidade, não incorporar a despesa no condomínio, mas custear a partir de um rateio específico.

Em geral os elementos de despesa dos condomínios são as seguintes:

a) manutenção do espaço: cobrir despesa de reparos elétricos, hidráulicos, pintura, alvenaria, vidros, serralheria, elevador quando tem tarifas de concessionárias em geral, etc;

b) Serviços de portaria, limpeza, higiene e vigilância em geral;

c) material de escritório, papel, cópias e serviços administrativos incluindo contador, etc;

d) mobilidade do grupo: deslocamentos da coordenação e participação em atividades externas;

e) Atividades de formação: cursos, seminários, palestras sobre assuntos de interesses dos moradores. Atividades culturais e de lazer. Festividades (dia das crianças, aniversariantes, etc.) para integração dos moradores;

f) Ação solidária para pessoas ou famílias do condomínio que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

g) Assessoria técnica de arquitetos para apresentar viabilidade de projetos habitacionais e acompanhamento de negociações com o poder público;

h) Assessoria de advogados para orientar os moradores e assegurar fundamento legal de suas ações no judiciário e acompanhá-los em negociações com o poder público.

i) outros

3. Metodologia: por fim a FLM recomenda que as regras de funcionamento dos grupos seja ela dos movimentos sociais, seja ela dos condomínios seguem esses princípios:

a) decisões em assembléia geral coletiva;

b) prestação de contas mensais;

c) decisões coletivas também sobre possíveis infrações e inadimplência.

Tendo em vista o acima exposto podemos apresentar algumas considerações finais deste 2º round:

1. A imprensa revela que existem alguns movimentos cobrando R$ 200, R$ 300 ou até R$ 400 mensais de contribuição das famílias. Podemos assegurar que não se trata de movimentos sociais, mas de intermediários que negociam com os proprietários e divide a cobrança executada;

2. Apresenta denúncia da venda de espaço para família ingressar no condomínio. Esta prática não é aceita pela FLM. Portanto desejamos receber as denúncias concretas para corrigir, se houver, essa distorção.

3. A imprensa também aponta a questão da expulsão de inadimplentes. A FLM recomenda que cada caso deve ser analisado e tomada uma decisão em assembleia para a pessoa apresentar suas razões. Entretanto, se um morador não pagar o peso recai sobre os demais. Sendo assim, a pessoa tem que cumprir oque foi pactuado. Caso contrário ele mesmo está se colocando fora do grupo.

4. As organizações dos sem tetos partem do principio da necessária construção da autonomia das famílias e de sua coletividade. São associações livres sem fins lucrativos que não possuem modos industriais ou comerciais para amealhar recursos financeiros. Nem recebem custeio da gestão pública. Deste modo, contam com suas próprias forças. Um pouquinho de cada um, garante suas ações necessárias, sua auto organização, sua autonomia, sua liberdade e assegura sua luta por justiça.

5. Os condomínios (ocupações) dos sem-teto dão um exemplo extraordinário para a sociedade em geral. Primeiro, nos espaços ocupados, por mais precários que sejam, reformam ou constroem e deixam o local apropriado para suas moradias e formam ali uma comunidade. Segundo deixam claro que os valores dos condomínios praticados nos prédios de moradia ou comercial em geral são extorsivos. O valor do menor condomínio em prédio de quitinetes e apartamentos varia entre R$ 400,00 e mais de R$ 1.000,00 mensais. Os sem-teto demonstram que os condomínios podem ser mais baratos, no geral. Pois os valores praticados nos condomínios (ocupações) dos movimentos sociais vão de 50, 80, 100 e no máximo R$ 150,00 mensais.

6. Finalmente, a experiência dos sem-teto na administração de seus espaços de moradia revela dois elementos decisivos para suas vidas:

1º-Podem rapidamente transformar os imóveis abandonados em moradia social e ali estabelecer a sua comunidade com autonomia e dignidade social. O poder público pode  e deve requisitar os imóveis abandonados para os sem-teto ali organizarem suas moradias e suas vidas;

2º Apresentam ali a possibilidade de viverem morando e trabalhando para si mesmos. E praticando a verdadeira democracia social, onde ninguém explora ninguém e todos realmente são iguais. Desenvolvendo o gene da tão necessária Associação de Mulheres e Homens livres.

Nós trabalhadores sem teto ligados a FLM decidimos mais uma vez agir para conquistar nosso direito de morar.

Segunda-feira, 26th Outubro, 2015

Atualizando: Desde Cinco horas da manhã desta segunda-feira,    850 famílias ocuparam  o Quadrilátero da Luz – Rua Barão de Piracicaba. Telefone de contato no local   961111837, com Maria.

Acabamos de ocupar um terreno na Rua da Cordialidade, 121 – Jd. São Luis ( Zona Sul)   – TELEFONE DE CONTATO NO LOCAL; 966206470 Felícia Mendes

CARTA ABERTA

Aos Homens e Mulheres de Bem

As Autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário

Nós trabalhadores sem teto ligados a FLM decidimos mais uma vez agir para conquistar nosso direito de morar.

O violento aumento do preço dos aluguéis impede a locação de qualquer espaço para moradia de nossas famílias. Qualquer cômodo precário custa entre R$ 800 e R$ 1.000,00. Enquanto nossos rendimentos não acompanharam a escalada desses preços. Agrava a situação ainda o aumento extorsivo do custo de água e da luz. Encontramo-nos de frente na velha e surrada frase: Se pagamos o aluguel, não comemos e se comemos não pagamos o aluguel.

Por outro lado, a política habitacional pública, não acompanha as nossas necessidades e os princípios do Estado Democrático de Direito, seja trabalhar incansavelmente na construção do bem comum.

Os compromissos assumidos pelo governo do Estado com os sem teto não prosperaram. Prometeram atender nossas demandas nas 10 mil moradias que seriam construídas. Garantiam atendimento cadastrando as famílias das ocupações do centro, especialmente do Quadrilátero, nos empreendimentos das Parcerias Público Privado (PPP’s). E isto não ocorreu. A desapropriação pactuada da gleba do Alto Alegre para atender as famílias despejadas em 2009 e famílias residente embaixo da rede da Eletropaulo, também não ocorreu.

Frente a inoperância dos órgãos públicos resolvemos agir para que a justiça prevaleça. Relembramos e pleiteamos o que segue:

1. Desenvolver rapidamente um programa emergencial de atendimento as famílias que se encontram em Estado de Necessidade Habitacional.

2. Emergencialmente disponibilizar as terras e prédios públicos para que os sem teto façam adequação do espaço pra morar o mais breve possível.

3. Requisitar os imóveis abandonados e sem função social para o programa emergencial de habitação.

4. Destinar de imediato as terras da Rua Direitos Humanos, Rua da Cordialidade, 121 – Jardim São Luiz, Quadrilátero da Luz e Alto Alegre para programas de moradia.

5. Atender as demandas já pactuadas com o Governo do Estado.

São Paulo, 25 de outubro de 2015.

Frente de Luta por Moradia.

A vitória depois de 15 anos de luta por moradia no Centro

Terça-feira, 20th Outubro, 2015

Nós, da Frente de Luta por Moradia estamos anunciando uma grande conquista, depois de ao menos 15 anos de luta e muita resistência das famílias sem-teto.

O Prefeito Fernando Haddad desapropriou o Edifício Prestes Maia, que fica no 911 da Av. de mesmo nome.

Para se ter uma ideia de como foi árdua a luta das famílias, a  Ocupação Prestes Maia passou por 26 tentativas de reintegração, em duas conseguiram tirar os sem-teto. Até o início deste  mês outra reintegração ameaçava. E mais uma vez  as famílias resistiram e ficaram na luta pois sabiam que estavam lutando por justiça.

Moradia é direito fundamental previsto na Constituição. Prédio abandonados, devedor de impostos e taxas não cumprem a função social, prevista em lei, e devem ser confiscados pelo Poder Público para dar moradia a quem precisa.

A luta das famílias é um fator decisivo, mas também celebramos uma conquista política, quando elegemos um prefeito comprometido com direitos sociais como é Fernando Haddad. Se fosse outro as famílias seriam jogadas na rua, como ocorreu muitas vezes. Haddad desapropriou o prédio, que será reformado e destinado à moradia popular através do programa Minha Casa Minha Vida.  O anuncio foi feito no sábado (17).

A luta é sempre!

Quem não luta tá morto!

FLM também foi pra rua no Dia Mundial do Sem Teto pelo Minha Casa Minha Vida III

Segunda-feira, 5th Outubro, 2015

São Paulo e mais 15 capitais tiveram  atos  para pedir  o lançamento imediato da terceira etapa do Minha Casa Minha Vida, no Dia Mundial dos Sem-Teto

O ato que reuniu os movimentos de moradia  aconteceu na porta da Caixa Econômica Federal na Praça da Sé onde um acampamento está montado.

Queremos:

- lançamento e início imediato do programa Minha Casa, Minha Vida III;

- o retorno do corte de R$ 5 bilhões para a área habitacional;

- destinação para moradia popular dos imóveis da União  postos à venda;

Central dos Movimentos Populares (CMP), Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM), Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Movimento de Luta dos Bairros e Favelas (MLB), União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e o Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU).

Prestes Maia:São Paulo tem a segunda maior ocupação vertical da América Latina

Sábado, 12th Setembro, 2015

*Matéria publicada pela EBC

Fachada da ocupação Prestes Maia, localizada na região da Luz, centro da capital (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

No número 911 da Avenida Prestes Maia, 378 famílias vivem na segunda maior ocupação vertical da América Latina – de acordo com o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, apenas a Torre de David, na Venezuela, tem mais ocupantes. A localização central do edifício de dois blocos, um com 22 andares e outro com nove, é uma das maiores razões para que o imóvel abandonado há décadas pelos proprietários esteja sempre repleto de ocupantes. Bastam alguns passos para chegar na estação Luz do Metrô, no Parque da Luz e na Pinacoteca do Estado.

A estimativa é que mais de 1 mil pessoas vivam no local.  “Não tem como saber ao certo a quantidade de pessoas, pois existem desde famílias com dez crianças a pessoas sozinhas”, diz Ivanete de Araújo, uma das líderes da ocupação. No local onde funcionava uma tecelagem, famílias dividem os espaços em pequenos quartinhos. O banheiro e a lavanderia são coletivos.

O elevador deixou de funcionar e os moradores dos últimos andares precisam fazer esforço extra para chegar em suas casas. O prédio sofre com infiltração que leva bolor e mofo às paredes e enche o subsolo de água – a associação de moradores precisou instalar uma bomba para jogar fora a água excedente.

Uma das maiores preocupações do Corpo de Bombeiros, descrita em ofício anexado ao processo de reintegração de posse do imóvel, é o iminente risco de incêndio. A reportagem constatou que não há extintores em nenhum dos andares. Entretanto, há muitos fios elétricos expostos e botijões confinados sem ventilação. Divisórias de madeira completam o cenário. Não há rotas de fuga em caso de emergência e as escadas sem proteção e sem corrimão representam risco evidente, sobretudo para as crianças.

Apesar dos riscos, a moradora Maria José da Silva, 47 anos, diz que gosta da oportunidade de se tratar em hospitais do centro de São Paulo. “Se eu fosse morar longe, não sei como poderia fazer. Faço diálise três vezes na semana, segunda, quarta e sexta. Para morar longe é difícil”, diz Maria José, que sofre de problemas renais.

Antes de se mudar para a ocupação, Maria vivia em uma pensão, mas passou por dificuldades financeiras. O próprio dono da pensão sugeriu que ela fosse para uma ocupação. “Eu fiquei com aquele medo, mas eu fui obrigada a vir, porque os alugueis estavam atrasados e eu não estava conseguindo pagar.”

Sandra Regina de Oliveira, 53 anos, aproveitou a localização central de sua nova casa para tomar conta de crianças, enquanto as mães trabalham. Ela cuida de seis crianças e tem uma renda mensal de R$ 950. “Dá para sobreviver, guardar um dinheiro para um dia eu poder pagar o meu apartamento. Morando aqui, estou juntando dinheiro, em outros lugares eu não juntava.”

Para morar no local, é preciso pagar uma taxa mensal de R$ 105 que garante o fornecimento de água, energia elétrica e banca outros gastos do condomínio.

O regulamento interno proíbe a ingestão de bebidas alcoólicas, o consumo de drogas, a prostituição e agressões no prédio.

Reintegração de posse

Construído na década de 60 para abrigar uma tecelagem, o edifício foi abandonado no início dos anos 80. A primeira ocupação ocorreu em 2002, mas cinco anos depois os moradores foram removidos. Naquela época, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) atendeu 150 famílias, que se mudaram para um empreendimento em Itaquera, na zona leste. Outras 150 famílias aceitaram receber a bolsa-aluguel da prefeitura por seis meses, renováveis por mais seis.

Proprietário do imóvel, Jorge Nacle Hamuche, da empresa Axel Empreendimentos Imobiliários Ltda, contou que, após a desocupação, o imóvel ficou um ano e meio vazio, enquanto ele acertava uma parceria com construtoras interessadas em fazer escritórios no prédio.

“Mas aí eles [sem-teto] quebraram o muro e entraram novamente [em 2010]. Estragaram um monumento, um ícone na entrada da cidade”, reclama.

Desde então, os moradores enfrentaram 20 tentativas de reintegração de posse. A próxima ação de desocupação foi marcada pelo juiz Rogério Aguiar Munhoz Soares, da 15ª Vara Cível – Foro Central Cível, para 26 de setembro.

Hamuche explica que a prefeitura entrou com processo de desapropriação e que já depositou o correspondente a 40% do valor a ser pago pelo imóvel em juízo. “Mas o prédio está avaliado em R$ 27 milhões, a prefeitura avalia em R$ 22 milhões. Isso me gera um prejuízo de R$ 5 milhões”, diz o empresário.

A reportagem da Agência Brasil apurou que o proprietário do imóvel não paga o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) desde 1986. A dívida atualizada chega a R$ 9,1 milhões. Em 2013, o valor venal do imóvel era estimado em R$ 6,5 milhões, numa área construída de 14,3 mil metros quadrados.

Hamuche admite uma dívida de R$ 6 milhões com a prefeitura, valor que ele garante que será pago caso o imóvel seja desocupado.

Segundo ele, a intenção de estabelecer parcerias para a construção de um prédio de escritórios continua. O empresário diz que não aceitaria um novo acordo para a desapropriação.

“Eu não aceitaria nada desse prefeito [Fernando Haddad]. Foi muito injusto. Ele prejudica a população da cidade inteira, pois está gastando a mais do que pode”, diz Hamuche.

O empresário defende a construção de moradias populares em endereços mais distantes do centro o que, segundo ele, é a opção menos onerosa e mais vantajosa para a prefeitura. “Eu espero que [os ocupantes] tenham a honestidade de sair pacificamente [no próximo dia 26], porque já são quase 20 anos de moradia grátis”, afirma.

Um estudo de viabilidade encomendado pelos ocupantes para verificar a possibilidade de transformação do prédio em moradia popular, realizada pelo arquiteto Waldir Cesar Ribeiro em 2013, mostra que a estrutura e a alvenaria do imóvel estão em boas condições.

“Apresenta bom estado geral em relação à superestrutura e alvenarias, não indicando qualquer patologia importante nesse sentido, visto que não apresenta fissuras ou corrosão das armações que sugiram qualquer comprometimento estrutural”, diz o relatório.

O arquiteto constatou, porém, a deterioração das instalações hidráulicas e sanitárias, instalações elétricas, bombas, elevadores, esquadrias de portas e janelas, revestimentos do piso e paredes que precisariam ser substituídos.

Ainda de acordo com o estudo, seria necessário um investimento de R$ 14,4 milhões para que o imóvel seja transformado em um empreendimento habitacional. Esses recursos seriam suficientes para 300 apartamentos com área privativa de 38 metros quadrados.

*Por Fernanda Cruz – Repórter da Agência Brasil Edição:Lílian Beraldo Fonte:Agência Brasil

TV CAMBRIDGE

Terça-feira, 8th Setembro, 2015

Tv Cambridge

Está no ar a TV Cambridge, com documentários, reportagens, entrevistas e curtas metragens produzidos por crianças do MSTC!! Alguns dos trabalhos serão exibidos no dia 12 de setembro, às 19h, durante a inauguração da biblioteca da ocupação e lançamento do coletivo Linha de Frente.

Durante a pré-produção do longa metragem “Era o Hotel Cambridge”, que será lançado em breve, pela Aurora Filmes, a equipe de roteiro e direção realizou uma série de oficinas com grupos de moradores da Ocupação Cambridge, a locação principal do filme.

O que era apenas uma etapa de pesquisa para o longa, estruturou-se como uma atividade permanente na Ocupação. O envolvimento das crianças foi tão intenso que, quase um ano após o término das filmagens, elas descem pontualmente todas as quartas-feiras para “brincarem” na oficina da TV Cambridge.

Nos encontros, a produção da garotada é acompanhada por facilitadores: roteiristas, produtores, outros membros da equipe do filme e novos integrantes, que chegaram aos poucos e somaram ao grupo original. Todos são ligados de alguma forma à produção de conteúdos infantis ou educação.

E assim, semanalmente, crianças com idades entre 3 e 16 anos escolhem o formato, roteirizam suas próprias ideias, dirigem e gravam todos os vídeos da TV Cambridge. A TV já produziu documentários, reportagens, entrevistas, curtas metragens de ficção e animação em stop motion. Os temas, propostos pelos participantes, foram de fantasmas à reciclagem de lixo, passando pela visão externa sobre o movimento, hip hop e bullying na escola.

As oficinas nascem com o objetivo de empoderar as crianças da Ocupação e possibilitar, através da produção audiovisual, que elas sejam cada vez mais protagonistas das próprias histórias, desconstruindo preconceitos e conhecendo e experienciando novos modelos de representatividade.

Os encontros acontecem na biblioteca, espaço que foi todo recriado para o filme e que depois das filmagens teve todo o seu acervo reorganizado por voluntárias com conhecimento sobre literatura infanto-juvenil. Livros de qualidade, num lugar convidativo para que as crianças possam também ter a experiência libertadora da leitura.

E a produção não para. Cada vez com mais autonomia, consciência e diversão.

Para conhecer mais sobre a produção das crianças da Ocupação Cambridge, acesse o canal da TV Cambridge no YouTube: http://bit.ly/1NPBdJy

Grito dos Excluídos 2015

Quarta-feira, 2nd Setembro, 2015

Grito dos Excluídos 2015

Contra o Golpe e o Ajuste Fiscal

Por Democracia, Mais Direitos e Políticas Públicas

Os movimentos populares que foram as ruas no dia 20 de agosto, novamente voltam às ruas, para defender os avanços das políticas públicas de inclusão social, desenvolvimento econômico com geração de emprego e renda, manutenção dos direitos trabalhistas e sociais e respeito à diversidade, em defesa da democracia, contra o ajuste fiscal, por outra política econômica.

Gritamos contra o avanço do conservadorismo, que se expressa na tentativa de criminalizar a esquerda, as organizações das classes trabalhadoras e os movimentos sociais.

Gritamos “Fora Cunha”, que teve uma das campanhas mais caras de 2014, financiada por vários setores empresariais, e agora envolvido na operação Lava Jato. O deputado foi denunciado pela Procuradoria Geral de República por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Gritamos contra a ofensiva da direita, que se sustenta numa onda conservadora que dissemina ódio, intolerância e preconceito, defende o retrocesso com relação os direitos dos trabalhadores e aos avanços socais conquistados por meio de muitos anos de luta da classe trabalhadora e dos movimentos sociais.

Gritamos contra a redução da maioridade penal e o genocídio da juventude pobre, negra e periférica e contra a terceirização que retira direitos, provoca demissões e reduz salários dos trabalhadores (as).

Gritamos por uma reforma política, não apenas eleitoral, que impeça que os grupos econômicos escolham e financiem seus preferidos como os “representantes” do povo. Defendemos reforma tributária que cobre imposto dos ricos. É preciso instituir o imposto sobre grandes fortunas e heranças, e combater a sonegação fiscal. Não aceitamos corte nas áreas e programas sociais.

Gritamos por outra política econômica, não aceitamos que o ajuste fiscal penalize a classe trabalhadora, com perda de direitos e diminuição de recursos dos programas sociais e de distribuição de renda.  Os ricos que paguem a conta.

Gritamos pela manutenção e a ampliação dos direitos e programas sociais, pelas reformas política, tributária, agrária e urbana. Não vai ter golpe!

São Paulo, 7 de setembro de 2015.

CMP (Central de Movimentos Populares)

CUT-SP (Central Única dos Trabalhadores)

UMM (União dos Movimentos de Moradia)

FLM (Frente de Luta por Moradia)

UMPS (União dos Movimentos Populares de Saúde)

MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)

Levante Popular da Juventude

MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens)

UEE-SP (União Estadual dos Estudantes)

MMTP (Movimento de Moradia Para Todos)

MMVL (Movimento de Moradia Vermelho para Lutar)

FACESP (Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo)

MMM (Marcha Mundial das Mulheres)

ESTAREMOS NAS RUAS DIA 20 DE AGOSTO EM DEFESA DOS DIREITOS SOCIAIS, DA LIBERDADE E DA DEMOCRACIA

Sábado, 15th Agosto, 2015

Jovem: Vote #PraOcuparACidade para o Conselho Municipal Dos Direitos de Juventude

Terça-feira, 28th Julho, 2015

Por uma Sampa mais humana e mais jovem

A votação acontece no dia 2 de agosto, das 9h às 17h, em onze urnas espalhadas pela cidade.
Qualquer jovem com idade entre 15 e 29 anos pode votar nas eleições para conselheiras/os do CMDJ, mediante apresentação de carteira de identidade e comprovante de residência no município de São Paulo. Cada jovem tem direito a votar em 21  candidatas/os para as vagas do CMDJ.

O Conselho é um importante espaço de participação política para a juventude de São Paulo. As (os) conselheiras (os) têm como função discutir temas que envolvam a juventude, pensar em formas de ampliar e assegurar seus direitos e fiscalizar as políticas públicas voltadas para os jovens da cidade.

O Conselho é composto de forma paritária – metade por membros do governo e metade por representantes eleitos pela sociedade civil. Jovens com idade entre 15 e 29 anos podem se candidatar a uma das cadeiras.

A Chapa #PraOcuparACidade disputa o Conselho Municipal dos Direitos da Juventude. Formada por diversos movimentos do campo da esquerda, leva a proposta de um conselho forte e combativo, que atue contra os preconceitos e o avanço conservador.

Conheça os candidatos e candidatas, entre na página, leia a plataforma política e ajude a construir uma gestão com a cara da juventude paulistana!

PONTOS DE VOTAÇÃO

Centro
Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso (ao lado da estação de Metrô Vergueiro)

Leste I
Subprefeitura de São Mateus
Avenida Ragueb Chohfifi, 1400 - Colônial

Leste II
Casa de Cultura São Miguel - Antônio Marcos
Rua Irineu Bonardi, 169 - Alto Pedroso - São Miguel
(15 minutos a pé da estação São Miguel Paulista - CPTM)

Leste III
Centro Social Marista – Itaquera
Av. Radial Leste, Pista Sul, ao lado do Metrô Itaquera, próximo ao Shopping

Norte I
Parque da Juventude
R. Manuel dos Santos Neto, 23 - Santana (ao lado da estação Carandiru)

Norte II
Centro Cultural da Juventude (CCJ)
Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641 - Vila dos Andrades, Vila Nova
Cachoeirinha (ao lado do Terminal Cachoeirinha)

Oeste
CEU Perus
Rua Bernardo José Lorena, s/n - Vila Fanton
(ao lado da estação Perus - CPTM)

Sul I
CEU Arlete Persoli - Heliópolis
Estrada das Lágrimas, 2385

Sul II
CEU Campo Limpo
Avenida Carlos Lacerda, 678 - Pirajussara

Sul III
Casa de Cultura do Grajaú
Rua Professor Oscar Barreto Filho, 252 - Parque America
(15 minutos a pé da estação Grajaú - CPTM)

Sul IV
CEU Parelheiros
R. José Pedro de Borba - Jardim Novo Parelheiros

Sul V
Sub Prefeitura Ipiranga
Rua Lino Coutinho, 444 - Ipiranga (15 min a pé da estação Ipiranga - CPTM)

Sul VI
CEU Caminho do Mar
Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, 5241 - Vila do Encontro

Ocupação Chácara do Conde

Quarta-feira, 22nd Julho, 2015

Na madrugada de domingo para segunda-feira, 20 de julho, 84 famílias sem-teto ocuparam os prédios em construção da Chácara do Conde. Tivemos que fazer a ocupação para proteger o empreendimento, que deveria ter sido entregue em 2011. Ainda no último sábado o escritório mantido pela  construtora na obra foi invadido e teve os computadores roubados, tratores também já foram roubados.

A obra teve início em 2010 e deveria atender famílias da Associação Chácara do Conde e outras da região removidas de áreas de risco.  A prefeitura diz que já pagou a construtora, mas desde o início a obra sofreu várias interrupções por períodos que podem durar seis meses ou mais. Atualmente existem funcionários da Consttutora Gomes Lourenço, no local, mas não estão trabalhando.
Estamos aguardando reunião com o Secretário Municipal da Habitação, nossa proposta é: Ou terminam a obra, ou autorizam e nossa associação termina. Não podemos assistir a este abandono e depredação enquanto as famílias aguardam sua moradia.
Informações no local com: Felícia Mendes Tel: 9 4014 7690
Desenvolvido por W3System