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ATO PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS QUINTA, 10/07

Segunda-feira, 7th Julho, 2014

A Central de Movimentos Populares, Centro de Direitos Humanos – Gaspar Garcia, FLM – Frente de Luta por Moradia, União dos Movimentos de Moradia da Grande São Paulo e Interior, convidam todos (as), para participarem do Ato de Solidariedade ao Dr. Benedito Roberto Barbosa (Dito), que foi agredido, imobilizado, detido e proibido de exercer suas prerrogativas profissionais, na ação judicial de reintegração de posse da Rua Aurora, 713.

Data: 10/07/2014 (Quinta-feira)
Horário: 15h00
Ponto de Concentração:  Praça da Sé


Exigimos a imediata mudança nas práticas judiciárias e policiais, em reintegrações de posse e outras que envolvam conflitos fundiários e urbanos, contra os movimentos de moradias e moradores em geral, sendo que deverão agir com senso de mediação e diálogo, garantindo a atuação de outros agentes profissionais, como advogados, conselheiros tutelares, assistentes sociais, oficiais de justiça, entre outros.
Exigimos apuração dos abusos cometidos pelos agentes da tropa de choque contra o advogado Benedito Roberto Barbosa e, em fase de inquérito, a plena desconstituição de crime de resistência e desobediência.
Exigimos a imediata apuração de abusos cometidos nas diversas operações policiais, onde moradores, moradoras e crianças têm sido agredidos e hostilizados no direito de luta por moradia digna.
Exigimos o fim do massacre da juventude que ocorre na periferia da cidade.
Exigimos a desmilitarização da polícia militar e da guarda metropolitana.
Exigimos que a luta pelo direito à moradia digna seja plenamente respeitada e não hostilizada pelo Poder Público.
PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS!!

HOJE TEM ATO NA PORTA DA CÂMARA MUNICIPAL DO GUARUJÁ 14H00

Terça-feira, 1st Julho, 2014

Movimentos de moradia do Guarujá, que têm apoio da Frente de Luta por Moradia, farão ato  por moradia nesta terça-feira, 01/07/2014, em Frente à âmara Municipal do Guarujá , Av.Leomil, 291- Centro.

Exigimos:

-Implantação imediata dos Projetos Minha Casa Minha Vida;
-Início imediato das Obras do Projeto Enseada que tem verbas do PAC 2 do governo federal e posicionamento oficial da Prefeita sobre as notificações de prazo de desocupação da área.

Contatos:

Elineudo – Tel: 13-996566516 ou 13-988674976 ID 119*19910

REPÚDIO À VIOLÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR CONTRA O ADVOGADO BENEDITO BARBOSA

Quarta-feira, 25th Junho, 2014

NOTA PÚBLICA DE REPÚDIO À VIOLÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR CONTRA O ADVOGADO BENEDITO BARBOSA

As entidades CENTRO GASPAR GARCIA DE DIREITOS HUMANOS, UNIÃO DOS MOVIMENTOS DE MORADIA, FRENTE DE LUTA POR MORADIA e CENTRAL DE MOVIMENTO POPULARES, através da presente nota, vêm a público manifestar desagravo e total indignação à violência e abuso de poder policial cometido contra o Advogado Benedito Roberto Barbosa durante ação de reintegração de posse ocorrida em São Paulo em prédio ocupado pelo movimento MSTRU, vinculado à Frente de Luta Por Moradia.

O exercício da profissão do advogado Benedito Roberto Barbosa foi brutalmente violado quando este tentava manter contato com as famílias que se encontravam no interior do imóvel reintegrado localizado na Rua Aurora, 713.

Sabendo ser sua prerrogativa adentrar no edifício para conversar com os moradores que se encontravam incomunicáveis pelo cerco da polícia, o advogado tentou ultrapassar o bloqueio do choque quando foi brutalmente agredido e imobilizado por agentes da tropa de choque da Polícia Militar sendo depois detido e encaminhado ao 3º Distrito Policial onde foi lavrado Boletim de Ocorrência tipificado como crime de “resistência”.

Discordamos plenamente da tipificação de crime de resistência. O Advogado Benedito Roberto Barbosa encontrava-se no exercício de seu mandato – protegido pelo Estatuto da Advocacia –, e gozando de suas prerrogativas profissionais quando foi agredido e imobilizado.

Portanto:

Exigimos apuração dos abusos cometidos pelos agentes da tropa de choque contra o advogado Benedito Roberto Barbosa e, em fase de inquérito, a plena desconstituição de crime de resistência.

Exigimos a imediata apuração de abusos cometidos nesta operação policial, seja em face do advogado, seja também em face de moradores, moradoras e crianças também agredidos e hostilizados no direito de luta por moradia digna.

Exigimos a imediata mudança no procedimento adotado pela Justiça Paulista e Polícia Militar nas ações de reintegração de posse e de despejos coletivos realizados na Capital.

Exigimos, finalmente, que a luta pelo direito à moradia digna seja plenamente respeitada e não hostilizada pelo Poder Público.

RESPEITO, APURAÇÃO DA VIOLAÇÃO DE DIREITO E AGRESSÃO COMETIDA CONTRA O ADVOGADO BENEDITO ROBERTO BARBOSA

RESPEITO AOS MORADORES E MORADORAS DE OCUPAÇÕES NA CIDADE DE SÃO PAULO

RESPEITO À LUTA PELO DIREITO À MORADIA DIGNA

POSSE DO CONSELHO MUNICIPAL DA HABITAÇÃO DE S. PAULO

Domingo, 15th Junho, 2014

Foto SECOM

Neste sábado, 14 de junho, os representantes do Conselho Municipal de Habitação de São Paulo tomaram posse.  Eles foram eleitos para um mandato de dois anos, e têm o desafio de revisar o Plano Municipal de Habitação, estabelecer diretrizes para a política habitacional e propor alternativas para o aperfeiçoamento dos programas municipais de habitação. O CNH é formado por 48 membros: 16 representantes de entidades de moradias, 16 do poder público municipal, estadual e federal e outros 16 membros da sociedade civil. O evento contou com a presença do prefeito Fernando Haddad e reuniu cerca de 2 mil pessoas no Centro Educacional Mané Garrincha,  no Ibirapuera.

O processo de eleição CMH reuniu entidades comprometidas com a luta por moradia, em torno da Chapa 404 – “Construindo a Unidade Popular”, em seis articulações: Frente de Luta por Moradia, Central de Movimentos Populares, União dos Movimentos de Moradia, Movimento de Moradia Para Todos, Movimento Nacional de Luta pela Moradia e Unificadora dos loteamentos.  Esta chapa recebeu 28.733 votos, e ficou com 11, das 16 vagas destinadas às entidades de moradia.

A partir da posse, os conselheiros têm como principal desafio, colaborar para implantar políticas públicas na área da habitação. São elas:

-Continuar atuando de forma firme no Conselho Municipal de Habitação, sempre em sintonia com os movimentos populares de moradia;

-Defender os princípios do Estatuto da Cidade e continuar lutando em defesa do Plano Diretor Estratégico;

-Defender a retomada dos mutirões autogeridos;

-Continuar a Luta contra os despejos, as remoções forçadas nas favelas e denunciar qualquer violação ao direito à moradia;

-Luta pela urbanização e regularização fundiária das favelas, loteamentos e áreas ocupadas;

-Lutar pela regularização e contratos justos dos conjuntos já habitados;

-Lutar por moradia digna na área central da cidade e exigir recursos estáveis para o Programa de Parceria Social e Programa de Locação Social;

-Lutar pela construção democrática do Plano Municipal de Habitação.

Fernando Haddad desapropriará 41 prédios para habitação popular

Segunda-feira, 9th Junho, 2014

Prefeitura estima gastar R$ 220 milhões em desocupações, quase três vezes mais que em 2013

Hotel Cambridge, na Bela Vista, será transformados em conjunto popular
Via R7

A gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) avalia que reformar os prédios ocupados no centro de São Paulo e transformá-los em moradias populares é uma forma de revitalizar a região, como afirma José Floriano, secretário municipal de Habitação.

— Queremos adquirir 41 prédios, muitos estão ocupados de forma organizada há muito tempo. Agora, ocupação com menos de um ano não vai ficar.

De sua janela no 22º andar do Edifício Martinelli, na região central, o secretário tem visto as recentes manifestações promovidas por sem-teto na cidade. Ele diz que o governo atual considera legítimos os protestos e a forma de organização dos movimentos de moradia.

— Há movimentos muito organizados, que realmente conseguem fazer um papel social importante ao acolher pessoas de baixa renda sem casa para morar. E tem movimentos que surgiram só agora, que querem credenciamento para construir casas do Minha Casa Minha Vida.

Dez prédios na região central, quatro deles ocupados hoje por sem-teto, estão sendo comprados ou já pertencem ao governo municipal.

A Ocupação Mauá, na Luz, e a Ocupação Prestes Mais, na mesma região, vão virar moradia definitiva para os sem-teto, adiantou o secretário ao Estado. Outros dois prédios tombados pelo patrimônio histórico, o Hotel Lorde, na região de Santa Cecília, e o Hotel Cambridge, na Bela Vista, serão revitalizados e transformados em conjuntos populares.

Para os estrangeiros, porém, Floriano garante que não haverá exceções.

— Só para quem mora no país legalmente há mais de cinco anos e tem família. Não temos como atender todo mundo. E não podemos abrir exceções.

Para viabilizar a moradia no centro com financiamento de R$ 72 mil do Minha Casa Minha Vida, o governo municipal vai fazer um aporte de R$ 20 mil por imóvel, valor igual ao que será depositado pelo governo estadual. Além disso, entram os custos de revitalização de cada prédio. Para 2014, a prefeitura estima gastar R$ 220 milhões em desapropriações — no ano passado, os gastos para comprar áreas particulares do governo foram de R$ 80 milhões, como explica o secretário.

— Cada apartamento no centro vai custar R$ 200 mil, um valor bem maior do que qualquer apartamento de programa habitacional no País. Mas vale a pena. Isso vai irradiar uma revitalização sem precedentes na região.

Política

Indicado ao cargo na cota do PP de Paulo Maluf, Floriano afirma nunca ter conhecido o ex-prefeito e atual deputado federal pela sigla.

— Sou engenheiro formado na Poli da USP e nunca havia ocupado cargo público. Não sou filiado ao PP, foram me buscar em Espírito Santo do Pinhal, onde tinha uma empresa de engenharia. Acho que é porque trabalhei muito tempo na formação dos condomínios do BNH pelo interior do Estado, nos anos 1980.

Floriano diz também trabalhar em sintonia com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), do governo estadual.

— Os interesses são comuns em desenvolver políticas habitacionais que atendam essas famílias que não conseguem mais pagar o aluguel.

Filiação

Questionado se há movimentos de moradia liderados por petistas com privilégios no governo, Floriano nega.

— Não existe privilégio algum. Nem sabemos de qual partido a entidade é ligada. O que é exigido é o perfil de família carente para entrar nos programas.

Hoje, porém, das 12 entidades de sem-teto de São Paulo credenciadas pelo governo federal para gerenciar a construção de condomínios do Minha Casa Minha Vida, 11 são comandadas por filiados ao PT. A participação em protestos é um dos quesitos de pontuação que as entidades adotam na hora de escolher os beneficiários do programa.

Movimentos Populares se mobilizam por Constituinte Exclusiva e Reforma Política

Sexta-feira, 30th Maio, 2014

Texto enviado pela Imprensa da CMP

Pautada pela realização do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva para reforma do sistema político a Central de Movimentos Populares, entidade integrante do comitê que organiza o plebiscito, realizará no sábado, dia 31 de Maio, a partir das 9 horas, no centro da capital paulista, Ato Público com a participação de integrantes de diversos movimentos populares.

A atividade faz parte do calendário de mobilizações que buscam intensificar  canais de participação popular na defesa de políticas públicas e de mudanças estruturais no sistema político brasileiro, como o veto ao financiamento privado das eleições.

Na avaliação dos organizadores, a Constituinte Exclusiva possibilitará avanços políticos e sociais tais como:  maior agilidade nas reformas agrária e urbana, aperfeiçoamentos nas políticas públicas nas áreas da saúde, educação, transportes, mobilidade urbana e efetiva representação das mulheres, negros e juventude nas instâncias políticas do país.

Segundo os integrantes da Central dos Movimentos Populares, o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana, previsto para acontecer de 01 de 07 de Setembro, – a meta é colher milhares de votos pelo fim do financiamento privado das campanhas, e fomentar conferências e conselhos deliberativos, pelo avanço da democracia representativa. “Esses são instrumentos indispensáveis para alcançarmos as políticas públicas rumo a uma sociedade mais justa e soberana e impedir a influência dos grupos privados no processo eleitoral.,” defende Raimundo Bonfim, líder da CMP.

O Ato Público terá concentração no Teatro Municipal, em seguida caminhada até a Praça da Sé, no dia 31 de maio, a partir das 9 horas.

Também haverá no mesmo dia, atividades de panfletagens, debates e agito nas cidades de Diadema, Santos, Santo André, Bertioga, Praia Grande, Itanhaem, Cubatão e Bertioga.

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Mais informações:

Raimundo Bonfim, coordenador geral da Central de Movimentos Populares (CMP)

(11) 97223-8171

(11) 96962-5956

SAMBA E FORRÓ PRA COMEMORAR A VITÓRIA DA MAUÁ

Sexta-feira, 23rd Maio, 2014

Neste sábado, a partir das 18h00, a Comunidade Mauá vai comemorar a grande vitória  da desapropriação do prédio, com samba e forró.  Um palco será montado na frente da ocupação para as apresentações.

Depois  de muita luta e da agonia pela ameaça de reintegração de posse, O processo de desapropriação do prédio iniciou em junho de 2013 quando o prefeito Fernando Haddad assinou o decreto de interesse social. No dia 30 de abril  a prefeitura de São Paulo depositou R$ 11,  milhões correspondentes a sua oferta de compra para a nossa Ocupação, que abriga 237 famílias, aqui na rua Mauá no Bairro da Luz, centro da capital Paulista.

O proprietário deixou o imóvel abandonado, sem função social, por mais de 20 anos,  As famílias já poderiam ter a posse do prédio por uso capião,  Mas quando faltavam apenas  quatro dias para  completar cinco anos da ocupação, o dono pediu a reintegração de posse.

O projeto é para construção de 160 apartamentos conjugados ou de um dormitório . E as  famílias restantes serão atendidas nos outros projetos habitacionais da prefeitura.

NOTA DE REPÚDIO

Sábado, 10th Maio, 2014

Na madrugada de 07 de maio,  ocorreu a reintegração de posse do Assentamento dos trabalhadores sem teto ligados a FLM. A ocupação do terreno ocorreu no dia 06.04.2014.

O que foi surpresa para os sem teto foi a utilização de uma liminar de 2012.  A policia chegou no local com muita truculência atirando bombas de efeito moral e gás lacrimogênio, não permitiu que as famílias tirassem seus pertences agredindo pessoas indefesas, crianças foram encaminhadas ao hospital da região, porque estavam dormindo e acordaram com gás.

O episódio deixou muitos indignados pois nenhuma família tomou conhecimento da liminar. se quer deram  a oportunidade de defesa aos ocupantes. O juiz é um prestador de serviço do proprietário, pois se quer analisou as circunstâncias se de fato se tratava das mesmas pessoas envolvidas no processo de 2012.Comete um crime contra pessoas indefesas que estavam ali somente lutando pelo direito a moradia.

A justiça pune trabalhadores que lutam por um direito justo e quem pune a justiça pelos seus atos de injustiça?

VÍDEO DA TVT NO LINK

- http://www.tvt.org.br/watch.php?id=16398&category=204

Contatos: Eliete Calixto: 7890 1824

Helô Regina: 9 5342 2913
Maria do Planalto: 9.7030-8184
Endereço: Rua Bento Guelfi, 1.800 – Jd. Alto Alegre (Terreno)
https://www.facebook.com/lutamoradia.frentedelutapormoradia/media_set?set=a.563095707140325.1073741845.100003197014465&type=3

*Foto Do R7, com Agência Record

08.05.14/ALICE VERGUEIRO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Viva a Luta dos trabalhadores que constroem a cidade que sonhamos!

Sexta-feira, 2nd Maio, 2014

Os sem teto  conseguiram a aprovação do Plano Diretor da Cidade de São Paulo, pelos vereadores, em primeira votação, depois de mais de 50 audiências públicas e ostensiva discussão na comissão de politica urbana. O papel das principais articulações de São Paulo foi decisivo. Mais de 80 famílias permaceram  no plenário enquanto centenas se mantiveram acampadas em frente a Câmara Municipal  com palavras de ordem, Plano Diretor Já!

Na próxima etapa o PL 688/13. apresentado pelo Executivo, receberá as emendas dos vereadores  e será encaminhado para a segunda votação. Depois de aprovado seguirá para o executivo que deve sancionar com ou sem veto. Com a Nova Lei aprovada, o sonho de milhares de Sem Teto  não poderá ser privado. Caberá aos movimentos fiscalizar e acompanhar a sua implementação pelo executivo.

Uma vitória dos movimentos! Viva a Luta dos trabalhadores que constroem a cidade que sonhamos!

MANIFESTO DE URBANISTAS E PROFESSORES EM APOIO À LUTA PELA VOTAÇÃO DO PLANO DIRETOR

Quinta-feira, 1st Maio, 2014

Diante dos acontecimentos na Câmara Municipal, neste momento de apreciação e votação do substitutivo do Plano Diretor de São Paulo, urbanista e professores de graduação e pós-graduação da área se manifestaram sobre  assunto. Confira abaixo.

Para novas adesões ao documento, insira sua assinaturanesta versão.

MANIFESTO DE URBANISTAS E PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS SOBRE AS MANIFESTAÇÕES NA CÂMARA MUNICIPAL EM DEFESA DO SUBSTITUTIVO DO PDE DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

CRISE DE MORADIA E INSENSIBILIDADE DO LEGISLATIVO MUNICIPAL: sobre a crise de moradia e o direito de protestar

O atual boom imobiliário, que vive a cidade de São Paulo (e as demais cidades no Brasil), tem tido como efeito o aumento do preço da moradia e dos aluguéis e como conseqüência a expulsão da população pobre para áreas mais distantes, fora do município, além do aumento significativo das pessoas que estão morando nas ruas sem qualquer alternativa de moradia. A Região Metropolitana de são Paulo se estende para novas fronteiras e inclusive a área de proteção dos mananciais cresce com a abertura de novos loteamentos clandestinos e favelas como mostram muitos estudos acadêmicos. Grande parte da população trabalhadora de Itapecerica da Serra, Embu, Itaquaquecetuba, Taboão da serra, Suzano, Cajamar, entre outros municípios da região metropolitana, trabalham no município de São Paulo. Alguns desses municípios dormitórios exportam mais de 30% de trabalhadores/moradores que passam significativa parte do dia, da semana e do ano nos péssimos transportes.

No município de São Paulo, aproximadamente ¼ da população mora ilegalmente em loteamentos clandestinos e favelas. Em alguns municípios periféricos da região metropolitana essa proporção chega a 70% de excluídos.

A crise de moradia aprofunda a crise de mobilidade urbana. Esta ganhou visibilidade em junho de 2013. A primeira começa a ganhar visibilidade a partir dos acontecimentos de 30 de abril de 2014 graças aos ativistas que não aceitam as condições das periferias/senzalas.

A insensibilidade do legislativo municipal (com raras exceções) e da maior parte dos veículos de comunicação, é notável. Em vão nós, urbanistas, professores universitários e pesquisadores, temos chamado atenção para a crise urbana. Os subsídios habitacionais acabam alimentando a obscena especulação imobiliária desenfreada que torna a cidade mais poderosa do país, mais desigual a cada ano. A valorização imobiliária, produzida com recursos da sociedade, està dificultando o acesso da maioria da população à moradia e sendo apropriada por alguns, sem que o poder pùblico cobre/exija as contrapartidas definidas na Constituiçao.

A função social da propriedade, o IPTU progressivo, instrumentos de regulação da especulação, permanecem como letra morta na constituição federal, no Estatuto da Cidade e nos sucessivos planos diretores. Leis festejadas no mundo todo, a legislação urbanística no Brasil, é desconhecida por grande parte do judiciário. Até mesmo o Supremo Tribunal Federal nos surpreende ao reter a aplicação do IPTU progressivo, principal instrumento de justiça urbana, no município de São Paulo. Esses instrumentos se aplicam por meio do plano diretor, segundo nossa Constituição.

O que os movimentos sociais pedem é o mínimo:

  • Algumas áreas de ZEIS- zonas especiais de interesse social destinadas a moradia social;
  • A cota de solidariedade (10% da área  dos grandes empreendimentos doadas como propriedade pública para moradia social como se faz em muitas cidades do mundo);
  • ·Destinar parte dos recursos do FUNDURB para a aquisição de terra para moradia popular e prever formas de participação democrática;
  • ·Implementar o IPTU progressivo no tempo;
  • · Retorno da Zona Rural e de Proteção Ambiental em Parelheiros para a produção de água potável. (aeroporto em Parelheiros NÃO!) pela volta do parque mananciais paiol e pela instalação de todos os parques previstos na cidade;
  • ·Priorizar o transporte coletivo, melhorando a qualidade e diminuindo o tempo das viagens. Trazer a moradia para perto do trabalho e dos eixos viários, pela implantação dos corredores e faixas exclusivas. Pela implantação das ciclovias;

Esse substitutivo foi resultante de 45 audiências públicas. Os movimentos sociais acompanharam e participaram pacientemente.

Enquanto outros interesses mantêm lobistas atuando na Câmara Municipal, seguindo a lógica da política do favor (ou do financiamento de campanha), para a população pobre essa participação exige sacrifícios. tem o peso do custo dos transportes, ver onde deixar as crianças, e não é raro perder o dia de trabalho, para defender um direito previsto na constituição. Quando marcou o dia para a votação do plano diretor a câmara municipal deveria ter previsto o efeito da frustração caso ela fosse adiada.

Deveríamos saudar a mobilização popular em torno de uma lei que pretende orientar o futuro de uma cidade que apresenta tantos problemas. Ela é um ato de cidadania. Deveria ser protegida e não motivo de força policial.

Os acontecimentos de rua no Brasil dão um claro sinal de que a paciência dos cidadãos aponta um limite. Pior cego é o que se recusa a enxergar.

São Paulo, 30 de abril de 2014.
Urbanistas que assinam esse documento:

ERMINIA MARICATO- Professora titular da USP e profa. visitante da UNICAMP
LUIS KOHARA – Doutor em Urbanismo – Centro Gaspar Garcia DH
RAQUEL ROLNIK – Professora Dra.FAU USP
ARLETE MOYSÉS RODRIGUES – Profa.Livre Docente – UNICAMP
PAULA SANTORO – Professora Dra.FAU USP
FRANCISCO COMARÚ – Professor Dr.Universidade Federal do ABC – UFABC / CECS
Eduardo A. C. Nobre – Professor Dr. FAUUSP
CAIO SANTO AMORE – Doutor FAU USP, professor da Anhembi Morumbi, coordenador da Peabiru
KARINA LEITÃO – Professora Dra. FAU USP
MARIA DE LOURDES ZUQUIM – Professora Dra. FAU USP
LUCIANA ROYER – Professora Dra.FAU USP
SILVANA ZIONI – Professora Dra.da UFABC
JOEL PEREIRA FELIPE – Professor Dr. da Engenharia Ambiental e Urbana da UFABC.
ANGELA AMARAL – Prof. Dra.FIAM FAAM e Escola da Cidade
HELENA MENNA BARRETO – Pesquisadora Dra. da UFSCAR
PATRICIA SAMORA – Profa Dra. – Centro Universitário Senac – Universidade São Judas Tadeu
LETIZIA VITALE – Professora Dra FIAM FAAM
SILVIA HELENA PASSARELLI – Professora Dra. da UFABC
BEATRIZ TONE – doutoranda FAUUSP, professora no curso de Arquitetura na Universidade São Judas Tadeu.
LICIO LOBO – Mestre UFABC, Diretor do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo
JOSÉ EDUARDO BARAVELLI – Urbanista e doutorando da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP
PAULO EMÍLIO BUARQUE – Professor Universidade Mackenzie, Doutorando FAUUSP
CAIO BOUCINHAS – Professor Dr. FIAM FAAM
CECILIA MACHADO – Doutora em Arquitetura e Urbanismo – pesquisadora Observatório de Remoções – UFABC/Labcidade/Labhab.
ELEUSINA LAVOR HOLANDA DE FREITAS – Doutora em Arquitetura e Urbanismo FAU USP
SIMONE GATTI – Urbanista e doutoranda da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP
FRANCISCO BARROS – Arquiteto e Urbanista, doutorando do IAU USP
LAISA ELEONORA – Mestranda FAU USP – Diretora do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo
ANA AKAISHI – Mestre UFABC – Professora da FIAM FAAM – Diretora do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo
MAURILIO RIBEIRO CHIARETTI – Presidente do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo
GUILHERME CARPINTERO – Vice-presidente do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo
MARCO ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA – Diretor Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo
GABRIELA FRANCO – Diretora Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo
ESTEVAM VANALE OTERO – Professor Unimep, Doutorando FAUUSP
MÁRCIA SAEKO HIRATA – Professora Doutora, UFSJ

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