ENCONTRO ATO CÍVICO: RODOANEL NA SERRA NÃO

Via Facebook Cristina Navarro

Na tarde de 16/06, entre 14 e 17h, cerca de 120 pessoas passaram pelo ato cívico contra o Rodoanel trecho Norte, no calçadão ao lado da Biblioteca de São Paulo, Zona Norte da capital

ZN NA LINHA
O encontro foi programado para confraternizar e aproximar os cidadãos que têm consciência dos tremendos impactos sócio-ambientais gerados por essa obra, que será colocada como um colar de concreto e asfalto por toda a extensão da Serra da Cantareira.  São 44 km de uma megarodovia, sempre encostada na serra e no Parque Estadual da Cantareira, desde a região de Taipas, passando pelos distritos de Cachoeirinha, Mandaqui e Tremembé, na cidade de São Paulo, e atravessando toda a cidade de Guarulhos, até a cidade de Arujá.

Ato Cívico no calçadão entre a Biblioteca de São Paulo e a ETEC Parque da Juventude
Também foi a oportunidade de atualizar a situação da resistência à obra.  Nesta semana um balde de água fria foi despejado na cabeça do movimento SOS Cantareira: foi anunciada a assinatura do contrato entre o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, e o governo estadual, para um empréstimo internacional de mais de R$ 2 bilhões, para a obra.  A decepção ocorreu porque o BID enviou técnicos para fazer um levantamento dos problemas ambientais levantados pelo SOS Cantareira. Porém parece que fala mais alto o interesse do BID em fazer crescer o montante já emprestado ao Brasil, que com esse empréstimo atinge mais de R$ 8 bilhões.   O presidente do BID, conforme declaração ao jornal O Estado de S. Paulo, exultou pelo fato de que muitas empresas internacionais terão interesse na obra.
Entre outras questões colocadas pelos ativistas, quatro são de fundamental importância: 1- o impacto ambiental junto a uma das maiores florestas em área urbana no mundo.  O ar puríssimo e a fauna e flora remanescentes e imprescindíveis para qualidade de vida da região metropolitana serão irremediavelmente afetadas por essa obra.  2 – O impacto social, com a remoção de milhares de pessoas.  Um exemplo foi a presença no ato de representante da Associação Cultural e Agrícola Cachoeira, que atende a mais de 200 famílias de origem nipônica, há 84 anos, na divisa de São Paulo com Guarulhos.  3 – Em tempos de Rio+20, o desperdício de R$ 6,5 bilhões, que poderiam ajudar a resolver o problema da mobilidade urbana, com investimentos em metrô e em corredores de ônibus.  4 – A ilegalidade da obra, ao desrespeitar preceitos do Plano Diretor da Cidade, inclusive o que pedia que a obra acontecesse a mais de 20 km do centro. Na Vila Rosa, Tremembé, a obra passará a 12,5 km do centro.

De todos os políticos chamados, só o vereador José Américo compareceu.
A obra do Rodoanel trecho Norte se insere no atual modelo de desenvolvimento globalizado, em que os interesses de capitais abundantes em todo o mundo falam muito mais forte do que as questões ambientais locais.  Verdadeiro rolo compressor.  Os escândalos recentes de liberação de obras irregulares de prédios são outra amostra do poder financeiro passando por cima de interesses ambientais, e mesmo sobre a legislação. Uma obra de R$ 6.500.000.000,00 movimenta interesses que irmanam na “gula” e na “cegueira” todas as instâncias que a financiam: governo estadual, governo federal, e organismo internacional (BID).
O rodoviarismo, com foco na abertura de estradas e no uso de automóveis e caminhões movidos a combustíveis fósseis, já deu o que tinha que dar. Em tempos de busca de sustentabilidade (o que significa dar ás futuras gerações um mundo pelo menos não pior do que o que temos hoje), instalar uma estrada sobre a Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (decretada pela UNESCO), parece ser um enorme contra-senso. “O Rodoanel na Serra da Cantareira será uma catástrofe!”, disse poucos meses antes de falecer o geógrafo Aziz Ab´Saber.   Foi distribuído aos presentes a lista de “17 razões para dizer NÃO ao Rodoanel Norte”.

Momento do Ato Cívico
Esse Encontro Ato Cívico foi programado para acontecer com baixissimo impacto.  Não foi usado nenhum equipamento de som. Todos os que quisessem falar e expressar sua opinião podiam fazê-lo, usando apenas a força de sua voz.  Muitas pessoas pediram e usaram da palavra. Isso transcorria em absoluta ordem e tranquilidade, até que seguranças do Parque da Juventude interviessem, dizendo que não era permitida a colocação do púlpito e do dois pequenos painéis com imagens da serra da Cantareira.   Felizmente a presença convicta do vereador José Américo, ao ameaçar chamar a polícia para proteger a integridade de uma manifestação totalmente pacífica e ordeira, permitiu a conclusão do ato, que terminou com o tradicional grito que ecoa há mais de 10 anos na região: RODOANEL NA SERRA NÃO!

Por pouco os seguranças do Parque da Juventude não impedem o evento.


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