FAMÍLIAS DA OCUPAÇÃO IPIRANGA ESTÃO ACAMPADAS EM FRENTE A SEHAB

Esta noite começa novo calvário para as famílias jogadas na rua e que a única oferta que tiveram da prefeitura foi albergue. A justiça determinou que a prefeitura providencie alojamento, até agora nada. Só pressão da GCM. A lona já foi puxada, estamos ao lado do correio, primeiro quarteirão da Av. São João. A Secretaria Municipal da habitação está bem à nossa frente. Está frio e garoa. Lona e madeirite é a política habitacional para os pobres de São Paulo. Trabalhadores que constroem esta cidade com o suor de seus rostos mas têm renda menor que três salários mínimos, alguns nem dois. Dar comida aos filhos ou pagar aluguel?

As famílias sem-teto da Ocupação Ipiranga, 908,  foram colocadas na rua nesta, terça-feira, 28/08 . Este prédio esteve abandonado por mais de 5 anos.  As famílias fizeram uma assembléia e decidiram sair pacificamente. Não poderiam correr o risco de sofrer mais violência ainda.No ínicio de setembro será a vez da Ocupação São João. Ao todo são 217 famílias com cerca de 200 crianças.

Fizemos reunião na tarde desta segunda-feira, 27/08, com representantes da Secretaria Municipal da Habitação, SEHAB/COHAB e a única promessa é fazer cadastramento das famílias e vagas em albergues. Levar as famílias para albergues seria tirar as crianças da escola e seus pais dos empregos, é retroceder na dignidade humana conquistada por estas famílias.  Solicitamos aos menos a providência de um alojamento para abrigar as famílias, impedir que elas fiquem ao relento e protegê-las de todo tipo de violência que estarão expostas na rua, mas a prefeitura apenas prometeu estudar a possibilidade.

Osmar Silva Borges – Coordenador da FLM – telefone: 11 9 83028197


CARTA ABERTA

QUE TRISTEZA

O Judiciário ordena que as forças armadas joguem na rua famílias sem-teto. E os governantes assistindo de camarote a violação dos direitos das crianças, mulheres, idosos e adultos.

São 217 famílias  hoje residentes na Av. Ipiranga, 908,  e Av. São João 588, prédios antes abandonados. Todos esses pais e mães de família já estão trabalhando e têm os filhos na escola, nas imediações.

Serão obrigados pela força a desocupar  propriedade totalmente fora da lei. Não cumprem a função social. Seus pretensos proprietários não exercem o domínio definido pelo Código Civil. Desrespeitam o meio ambiente e mesmo assim, vergonhosamente  o Judiciário e demais autoridades protegem os fora da lei.

Por outro lado, o direito das crianças, dos idosos, mulheres, trabalhadores que constroem essa cidade com o suor de seus rostos está sendo violentamente desrespeitado. Não se observa princípios elementares de nosso Estado Democrático de Direito, como a dignidade da pessoa humana, a proteção da criança, o direito à moradia, conquistas da civilização moderna. E joga-se ao relento as famílias.

Não aceitamos esses desmandos ilegais. Precisamos restabelecer a ordem de respeito às pessoas. Queremos continuar morando onde estamos. Caso contrário vamos nos acomodar no meio da rua.

FRENTE DE LUTA POR MORADIA

Osmar Silva Borges – Coordenador da FLM – telefone: 11 9 83028197

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