Membros da Cafod visitam a ocupação Maúa


Reunião com a coordenação

Na última quarta-feira, 13 de julho, Sara e Tony Sheen, visitaram a Ocupação Mauá,  representando Cafod e seus  parceiros na Inglaterra e País de Gales. Eles já estiveram por aqui há mais de cinco anos e voltaram para se reencontrar com  parceiros CAFOD no Brasil,  que têm trabalho junto às famílias que vivem em extrema vulnerabilidade social.

Famílias da Ocupação Mauá

Na Ocupação Mauá tiveram a oportunidade de se reunir com as famílias e ouvir seus relatos da luta por moradia. Visitaram o prédio, assistiram à uma aula de capoeira, participaram de almoço comunitário.

Almoço comunitário

No final entregaram alguns presentes enviados pelos apoiadores europeus.

relembrando a história da Ocupação Mauá

O  antigo hotel Santos Dumont, ficou abandonado por mais de 17 anos. Há quatro anos cerca de 240 famílias ocupam os 180 apartamentos, mais as áreas comuns do primeiro andar que foram transformadas em moradia. São seis andares com 30 apartamentos por andar, alguns apartamentos são divididos por duas famílias.

Os moradores da Mauá mantém sua rotina de melhoria do espaço que começou desde o início da ocupação com a retirada de  mais de 20 caminhões de lixo e entulho do local. Depois a ligação de águá e Luz, alguns andares receberam pintura interna. A última melhoria foi reforma da  recepção que agora tem câmera e portão eletrônico, para controlar entrada e saída e dar mais segurança aos moradores.

Mercadinho da Raquel

No primeiro andar o mercadinho da Raquel abastece as famílias durante todo o mês. Ela que era ambulante nas ruas da Capital Paulista agora é Micro Empresária Individual. Os moradores da Mauá compram à vista se tiverem dinheiro, ou levam o que precisam para casa e o valor fica marcado na caderneta. No dia do pagamento acertam a conta. Raquel comemora “Eu era uma ambulante, na calçada, hoje tenho meu comércio legalizado e ainda posso ajudar as famílias que compram e pagam depois.”

Capoeira

Educação, esporte, cultura e lazer também são preocupações constantes na Mauá. Atualmente os moradores estão organizando uma biblioteca em mutirão, com doações de livros, no andar térreo uma sala foi reservada para a prática de capoeira. E os jovens e adultos aguardam ansiosamente a viabilização de um projeto para  uma área de cerca de 500 m², nos fundos do prédio, onde pretendem construir uma quadra poli-esportiva. Enquanto o sonho não se realiza o futebol é praticado no vão livre do prédio.

Além do futebol e da capoeira os jovens  organizam apresentações de teatro, e grupo de dança.  As crianças também gostam muito da sessão pipoca que acontece com a ajuda do telão na sala de reunião, no térreo.

Para manter toda essa organização, cada andar possui um coordenador cujo papel é manter a ordem, a limpeza, passar  informações e representar as famílias do andar nas reuniões de coordenação.  No encontro da coordenação, que acontecem todos os sábados à tarde,além de discutir a organização interna, o grupo avalia a conjuntura política e discute as negociações  da ocupação com o poder público. E uma vez a cada mês todos os moradores da Ocupação Mauá se reúnem em Assembléia Geral (toda 2ª quarta-feira do mês). Para a próxima AG os coordenadores planejam refazer o cadastro para atualizar os números de crianças, jovens e adultos da ocupação.

Quem visitar o quarto andar do prédio vai encontrar  a sala do “Projeto Enlaçando”, onde futuramente os jovens terão equipamentos para registrar e divulgar o dia-a-dia da luta por moradia, como câmeras, computadores, projetor. “O que temos recebido do Projeto Enlaçando fortaleceu nossa luta. Saber que lá do outro lado do planeta outras famílias  acompanham e apoiam nossa luta pelo direito à moradia, nos faz seguir em frente.” Diz a coordenadora  Ivaneti Araújo.

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